quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Promenade Plantée




















































Queria fugir dos endereços óbvios de Paris, lugares imperdíveis mas que
todo mundo já conhece,  e por isso escolhi a Promenade Plantée. A graça
é que muitos parisienses nunca foram lá, uma pena, porque é um dos
lugares mais incríveis da cidade.

Como o nome diz, é um passeio coberto de plantas. Um parque elevado
com 4.5 Km de extensão,  resultado da transformação de uma antiga linha
de trem abandonada no final dos anos 60.  A linha conectava a região da
Bastilha com o limite leste de Paris, próximo ao Bois de Vicennes.

Desenhado pelos arquitetos Jacques Vergely e Philippe Mathieux, o projeto
demorou 13 anos para ser finalizado. Desde sua inauguração no ano 2000,
o antigo trilho é ocupado por parisienses e turistas de todas as idades. Para
esportes, para ler um livro ou só para ver a cidade de cima.

Uma parcela da parte de baixo do viaduto foi transformada em ateliers, lojas
de arte e ficou conhecida como "viaduto das artes".

A promenade foi um exemplo para o mundo e seu modelo copiado nos
Estados Unidos com o High Line em NY do escritório Diller Scofidio + 
Renfro. Seus caminhos oferecem outra perspectiva de Paris e deixam ver os
fundos das casas que transformaram o passeio em seus jardins.




















Marcas de caminhos na paisagem realizadas pelo artista britânico
Richard Long. Arte gerada pela caminhada, pela passagem do homem pela
natureza. O entorno está alí e o rastro, o passeio, somos nós que definimos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Primrose Hill




















Londres é conhecida por seus parques, St. James Park, Hyde Park, mas de
longe um dos meus preferidos é a colina do Primrose Hill, que faz parte do
Regent´s Park.

O parque está na parcela norte da cidade em uma área residencial. O bairro
tem casas de personalidades importantes da história como Friedrich Engels e
ainda hoje atraí celebridades do mundo todo. Possivelmente porque seus 68
metros acima do mar produzem um olhar único da cidade.

Um lugar tranquilo, onde os londrinos vão passear com os seus cachorros,
sentam e veem de longe o movimento da cidade. Londres pulsa, corre, mas
este lugar, que parece que parou no tempo, segue calmo, observando de
longe.



Paisagens de Ansel Adams, fotógrafo americano conhecido por suas 
imagens de parques americanos. Adams era um especialista em fotos preto e 
branco e no controle da luz. Suas imagens se tornaram ícones e contribuiram 
para a preservação dos lugares que registrou. 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Komomoto






Pelo visto a moda do nipo peruano, restaurantes que mesclam a culinária 
japonesa com a peruana também pegou aqui em Barcelona. Lembro bem 
quando abriu o primeiro do gênero em São Paulo e fez o maior sucesso.

Komomoto é uma ótima opção para diferentes idéias de programa, desde 
grupo de amigos a um jantar especial. O restaurante é super bonito: móveis 
de madeira, alguns detalhes em vermelho e janelas laterais que dão para a 
Carrer Princesa, uma rua super legal da cidade. Na mesa, jogos americanos 
de papel e lápis para desenhar. Em uma parede e em luminárias de design
penduram os registros dos que comeram alí, posters e fotos. 

Além dos ceviches, peixes crus marinados, eles servem saladas com brotos 
e sopas muito gostosas. Tudo muito leve e com um design impecável.




Instalação da artista chino americana Beili Liu. A obra representa uma antiga 
lenda chinesa que diz que desde o nascimento linhas vermelhas invisíveis 
conectam as pessoas as suas ¨almas gêmeas¨. 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Casa da Música









Depois de morar um ano no Porto finalmente escrevo a primeira postagem 
sobre a cidade. Escolhi a Casa da Música por ser um dos seus edifícios mais 
polêmicos e um dos meus preferidos. 

O projeto faz parte de um processo de renovação urbana e modificou 
radicalmente o seu entorno. A começar pelo seu acesso, uma imensa 
plataforma, um espaço público que rapidamente foi ocupado pelos skatistas 
da cidade e muitas vezes é usado para eventos abertos. O protagonista desta 
grande praça é um volume irregular, que mas parece um meteoro que caiu na 
terra, que cria um diálogo de oposição com a sua envolvente. Suas superfícies 
de vidro refletem a cidade e passam por uma metamorfose ao longo do dia. 

O edifício se tornou um ícone na cidade e seu desenho foi definido em um 
concurso de 1999 em que venceu o escritório OMA do arquiteto 
Rem Koolhaas.  Inaugurado em 2005 ele é motivo de muita polêmica. Tanto
sua forma quanto o fato de ser projeto de um arquiteto holandês gerou ódio 
em muitos portugueses, fortes defensores da arquitetura nacional. Mas aos 
poucos eles começaram a se acostumar com sua forma pouco usual, suas 
salas de espetáculo um tanto curiosas e seus materiais. Afinal de contas, não
é do Siza mas tem uma acústica e espetáculos fantásticos. 








Nestas imagens o fotógrafo americano Darin Mickey capta elementos 
aparentemente fora de contexto. A surpresa, o estranhamento são alguns 
dos temas mais frequentes em seu trabalho. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Notre Dame du Haut Ronchamp






Esta postagem é muito especial porque pela primeira vez publico fotos de 
outra pessoa e espero que seja a primeira de muitas. Então, se você tem um 
lugar legal que conheceu, boas fotos, quer mandar um pequeno texto, 
escreva para isalenzi@gmail.com.

Estas fotos são de Pati Almeida.

Lembro de pouquíssimos momentos da vida em que senti o que senti alí. 
Para chegar à capela de Ronchamp em uma pequena cidade no oeste da 
França há um longo caminho pela frente. 
Trens, ônibus e uma subida no meio da mata para finalmente avistá-la. 
É uma pereguinação que prepara você para o que vai sentir quando 
chegar alí.

Até parece que sou hiper católica com estas palavras, mas a graça é que 
é bem o contrário. Desde pequena nunca gostei de igrejas e o meu 
interesse por elas sempre foi meramente artístico. Mas a Notre Dame du 
Haut é diferente. Apesar de toda a minha resistência este lugar tem algo 
muito especial que vai além da beleza de sua arquitetura. Algo no 
ambiente, na luz, no entorno que a torna absolutamente inesquecível. 

O projeto, concluído em 1955, é uma obra de Le Corbusier, um dos mais 
célebres arquitetos e teóricos da arquitetura do século XX. Tudo em seu 
desenho impressiona: o sítio escolhido, antigo destino religioso com uma
vista do horizonte em suas quatro direções; a tectônica do projeto, seu 
caráter maciço com grossas paredes inclinadas que se contrapõe à leve 
cobertura que mais parece uma folha, uma vela de barco reagindo à força 
do vento.

A luz penetra suavemente no seu interior por pequenas janelas com 
desenhos e frases pintadas pelo próprio arquiteto. A inclinação da capela 
segue a topografia e direciona para o altar principal. O púlpito atravessa 
o edifício e permite que o sermão seja dado tanto no interior quanto em 
uma outra capela que surge no exterior, uma capela que tem a natureza 
como testemunha e ouvinte. 




Cena do documentário ¨Nelson Freire¨ de João Moreira Salles em que
o pianista interpreta ¨Jesus alegria dos homens¨ de J. S. Bach. O filme
conta um pouco sobre a vida e carreira de um dos maiores pianistas
clássicos vivos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Bar del Fico






















Para quem mora ou está de férias em Roma recomendo dar uma passada
no Bar del Fico. Apesar do nome, não é exatamente um bar. São dois
espaços com o mesmo estilo e proposta, um restaurante e um café/bar
localizados um quase ao lado do outro. Móveis antigos, paredes com
pintura gasta e objetos de design retrô dão o charme e o ar cool de ambos.

O restaurante tem um cardápio super variado com pratos italianos bem bons.
As saladas e as bruschettas valem muito a pena. O bar de noite tem dj,
bebidas e é super descolado. De dia tem um café da manhã super gostoso
com bolos, pães.

Pelo que percebi os dois são lugares da moda, frequentados por romanos,
então fica o conselho: reserve ou chegue um pouco antes. Para quem não
tem pressa o legal é esperar a vez sentado no bar.

Vale dar uma andada pelos arredores, com ruazinha estreitas, galerias, vários
outros bares e lojas legais.  E claro, dar uma passada na Piazza Navona, sem
dúvida uma das mais bonitas da cidade.



































































































Imagens do jovem fotógrafo nova iorquino Bobby Doherty. O detalhe, 
o enfoque em diferentes objetos é uma constante em suas fotografias.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Filarmônica de Berlin










Assistir a um concerto na Filarmônica de Berlin é um dos programas mais
imperdíveis para quem vai à cidade. Claro que todo mundo deve pensar
que o preço de um concerto de uma das melhores orquestras do mundo é
absolutamente proibitivo, mas não é bem assim.

Neste fim de ano, eu e mais 6 amigos conseguimos comprar entradas na porta
por 15 euros. Na bilheteria os ingressos custavam entre 50 e 100 euros mas,
como em quase todos os espetáculos, tem gente tentando vender seus lugares.
Para quem quer tentar a sorte e não tem este dinheiro para desembolsar, fica a
alternativa. O importante é saber duas coisas: não compre de homens que te
chamam para ver os ingressos em um canto e espere até a última hora, porque
negociando o preço sempre pode baixar um pouco mais.

Mas além do espetáculo, o edifício da filarmônica inaugurado em 1963
também é um ícone da cidade. Apesar das críticas iniciais, por conta dos seus
jogos de planos, sua assimetria e sua cobertura, os alemães aprenderam a
admirá-lo tanto suas qualidades acústicas quanto por seu desenho. Quem
assina o projeto é o alemão Hans Scharoun, um dos arquitetos que mais
contribuiu para a reconstrução de Berlin no pós guerra. Uma curiosidade, seu
único projeto no exterior é a Embaixada da Alemanha em Brasília.

Em 2008 a filarmônica pegou fogo, mas por sorte sem danos irreparáveis.







Aquarelas e estudos para suas composições do pintor, poeta, músico e 
teórico musical John Cage
Com uma linguagem aparentemente caótica Cage revolucionou a música 
contemporânea ao introduzir em suas composições silêncios intermináveis 
e sons desconectados. Para algumas de suas obras ele deu o nome de 
¨músicas não intencionais¨.