
Ícone da contemporaneidade o Guggenheim de Bilbao também é um dos
edifícios mais polêmicos da atualidade. Mas a verdade é que ele só pode ser
criticado depois de analisado ao vivo.
A sensação de vê-lo, tocá-lo é completamente distinta de que provoca
qualquer foto ou vídeo. Crítica ferrenha da arquitetura de Frank Gehry, com
exceção de sua casa, confesso que tive que repensar muitas coisas ao visitar
o museu.
De fato, muitas críticas são verdadeiras. Apesar de toda a escultura exterior,
as salas do museu não fogem muito do antigo conceito do cubo branco,
arquitetura utilizada em todos os museus do mundo. A tentativa de criar
surpresas e percursos com passarelas me pareceu bem furada. As passarelas
não tem expressão, os caminhos não levam a lugar nenhum e existem vários
elementos completamente soltos no interior do museu. Pilares enormes
horrorosos entre outros absurdos.
Mas fato é que o edifício tem muito mérito. Além do já conhecido, de ter
colocado Bilbao na lista das cidades mais visitadas da Espanha, o museu tem
seu encanto. Sua transformação ao longo do dia, sua materialidade, seu
caráter monumental escultórico de fato funcionam e muito bem.
Vale ir não só para julgar sua arquitetura. As exposições temporárias são
sempre muito boas e só a ala do Richard Serra vale a ida. Sete peças
imperdíveis do escultor americano ocupam um espaço imenso no interior do
museu. Talvez seja verdade o que muitos dizem, só mesmo o Serra para
ofuscar a tentativa de aparecer de Gehry.
Imagens de ícones da arquitetura desenfocados pelo fotógrafo
japonês Hiroshi Sugimoto.







