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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Guggenheim Bilbao










Ícone da contemporaneidade o Guggenheim de Bilbao também é um dos 
edifícios mais polêmicos da atualidade. Mas a verdade é que ele só pode ser 
criticado depois de analisado ao vivo. 

A sensação de vê-lo, tocá-lo é completamente distinta de que provoca
qualquer foto ou vídeo. Crítica ferrenha da arquitetura de Frank Gehry, com 
exceção de sua casa, confesso que tive que repensar muitas coisas ao visitar 
o museu. 

De fato, muitas críticas são verdadeiras. Apesar de toda a escultura exterior, 
as salas do museu não fogem muito do antigo conceito do cubo branco, 
arquitetura utilizada em todos os museus do mundo. A tentativa de criar 
surpresas e percursos com passarelas me pareceu bem furada. As passarelas 
não tem expressão, os caminhos não levam a lugar nenhum e existem vários
elementos completamente soltos no interior do museu.  Pilares enormes 
horrorosos entre outros absurdos. 

Mas fato é que o edifício tem muito mérito. Além do já conhecido, de ter 
colocado Bilbao na lista das cidades mais visitadas da Espanha, o museu tem 
seu encanto. Sua transformação ao longo do dia, sua materialidade, seu 
caráter monumental escultórico de fato funcionam e muito bem. 

Vale ir não só para julgar sua arquitetura. As exposições temporárias são 
sempre muito boas e só a ala do Richard Serra vale a ida. Sete peças 
imperdíveis do escultor americano ocupam um espaço imenso no interior do 
museu. Talvez seja verdade o que muitos dizem, só mesmo o Serra para 
ofuscar a tentativa de aparecer de Gehry. 





Imagens de ícones da arquitetura desenfocados pelo fotógrafo
japonês Hiroshi Sugimoto

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

MAXXI Museo Nazionalle delle Arti del XXI Secolo










Primeira postagem do ano! Já estava com saudades do blog, mas aproveitei
as viagens das férias para acumular novidades. Começo o ano com um
lugar que me emocionou muito e que provavelmente vai gerar um pouco de
polêmica. Pelo menos entre os arquitetos...

Em Roma finalmente conheci um museu de arte contemporânea que
consegue ser contemporâneo também em sua arquitetura. Desde a sua
inauguração em maio do ano passado, o MAXXI, Museo Nazionalle delle
Arti del XXI Secolo, já ganhou vários prêmios. Muito merecidos, porque
pela primeira vez me senti em um museu do século XXI, que dialoga com
as obras sem se sobrepôr a elas.

A graça é que, até visitá-lo dizia para todo mundo que odiava a autora do
projeto, a arquiteta Zaha Hadid, premiada diversas vezes por projetos high
tech. Não entendia o porquê de tanta fama e achava sua arquitetura mais de
efeitos do que de realidade. Mas essa visão mudou, pelo menos em relação
ao Maxxi.

Como muitos outros edifícios de Zaha, o museu é basicamente um conjunto
de curvas e planos que se sobrepõe e se cruzam. Mas para a minha surpresa,
alí tudo acontece com harmonia, proporção e gerando grandes surpresas. A
planta não fica clara na cabeça do visitante, que se perde em seus corredores
e escadarias.

É imperdível, ainda mais quando pensamos no contraste entre o projeto e
o resto da cidade. E claro, além da arquitetura, o museu tem um acervo com
obras muito bem escolhidas dos principais artistas contemporâneos.




Esculturas com planos em aço corten do artista americano Richard Serra
Serra cria percursos ao inclinar chapas partindo de formas puras.  
Claustrofobia, desequilíbrio, eco, vazio total de som são algumas das 
sensações causadas pela relação entre a inclinação das chapas.