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terça-feira, 27 de março de 2012

Wolfgang Tillmans no MAM










Hoje inaugura no MAM a exposição do artista alemão Wolfgang Tillmans
um aficcionado pelas constelações e sequências matemáticas.
Tillmans propõe uma nova maneira de expôr suas fotos, em diferentes 
tamanhos e em diferentes suportes. Imagens de naturezas mortas, de seu 
cotidiano. Imagens banais que em conjunto ganham força e poesia.  

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

MuBE Museu Brasileiro da Escultura



Fotos Nelson Kon






































¨A discussão política é sugerida pelo traço poético da arquitetura, através 
da emoção e das possibilidades de construção do espaço.¨[1]


Desde sua construção, em 1988, o Mube é circundado por um fluxo intenso 
de automóveis que passam diariamente pela Avenida Europa, importante 
eixo viário da cidade, e por grandes casarões do Jardim Europa.
Ele nasce como uma resposta do arquiteto Paulo Mendes da Rocha ao 
entorno e ao caos urbano. 

Nascido em Vitória, no fim dos anos 20, Paulo formou-se no Mackenzie. 
Desde seus primeiros projetos, estruturas racionais, em concreto 
armado aparente, vencendo grandes vãos, é clara a influência das obras 
da ideologia de Vilanova Artigas e do modernismo.

Mas, além das questões formais, sua atitude arquitetônica se destaca 
pela abordagem do território da cidade como o lugar das relações 
humanas, como dispositivo para a existência em coletividade. 

Ao projetar o MuBE, Paulo
 parte de um gesto essencial, de uma ideia 
antiga de abrigo, para criar, entre o fora e o dentro, a praça, uma 
continuação da cidade. Como uma paisagem modelada, o edifício afirma
o caráter urbano da área e contrasta radicalmente com o que está 
ao seu redor. Desafia os limites do lote e se impõe como uma área de 
respiro, um alargamento das calçadas.

Porém, apesar de Paulo articular muito bem o volume principal e aproveitar 
as diferenças de nível do terreno, as grades que o circundam delimitam 
uma barreira física que interrompe a continuidade entre a calçada e a 
esplanada, entre o público e o privado, enfraquecendo o seu caráter de 
museu praça. 

Praça esta que, além de abrigar exposições de esculturas ao ar livre, deveria 
ser, assim como o vão livre do MASP, um lugar cívico e político. 
Um lugar para o encontro, em contraposição às mansões muradas do bairro 
jardim que o circunda. esplanada externa, que deveria funcionar como uma 
espécie de ágora, um lugar de exposição das pluralidades, um palco de 
ações e palavras, hoje, apesar de sua potência, não cumpre plenamente 
o papel a que se propõe. 

Além de um grande gesto arquitetônico, o MuBE é um gesto político. 
Traz em sua essência a vocação de reequilibrar a relação entre público 
privado. Porém, gradeado, com guaritas de segurança e sem a 
livre passagem, existe a praça do povo?







"Quero moldar o espaço com espírito delicado e artesanal. 
Porém estou disposto a penetrar neste espaço utilizando violência".

Assim como Paulo Mendes, no projeto do Chichu Art Museumlocalizado 
na ilha de Naoshima, o japonês Tadao Ando radicaliza ao optar por 
submergir todo o volume do seu edifício abaixo da terra.

Assim como no Mube, existe a continuidade da paisagem, um 
horizonte amplo e infinito, onde o museu desaparece e o que ganha 
destaque é a arte em seu interior. Sua arquitetura, ao 
mesmo tempo silenciosa, deixa uma marca no terreno e naqueles 
que a visitam.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sesc Belenzinho







Há pouco mais de um ano foi inaugurado o SESC Belenzinho, uma das mais
novas unidades da rede. Os antigos galpões de tecido, que funcionavam como
sede provisória, foram demolidos e no lugar foi erguido um edifício com 
projeto do arquiteto Ricardo Chahin. A eficiência energética e a preservação do 
meio ambiente é um dos diferenciais da unidade.

O Belenzinho, como é conhecido, foi sede de duas das melhores mostras do ano: 
Panoramas do Sul e Olafur Eliasson, seu corpo da obra. Ambas fazem parte 
da programação do 17 Festival Video Brasil, um festival internacional de arte 
contemporânea. 

A mostra Panoramas do Sul foi composta por um conjunto de obras realizadas 
em diversos suportes e meios por artistas nacionais e internacionais. Entre
instalações, pinturas, esculturas e vídeos, as obras foram divididas pela equipe 
de curadores, que tem como curadora Geral, Solange Farkas,  em quatro recortes: 
Cartografias do Afeto, Natureza e Cultura, Paisagens Políticas e Mecanismos 
Geradores.

Solange tem quase 30 anos de estrada como curadora e é responsável pela 
criação e direção deste festival que a cada ano ganha mais visibilidade. Como 
diretora do MAM da Bahia, cargo que ocupou por alguns anos, ela conseguiu 
reerguer o museu e realizar uma reforma no edifício histórico que,  na década 
çde 60, passou por uma intervenção de Lina Bo Bardi.   

A mostra Panoramas do Sul terminou no começo de dezembro, mas ainda 
dá tempo de ver as obras do artista dinamarquês Olafur Eliasson, 
que, além do SESC Belenzinho ocupam o Sesc Pompéia e a Pinacoteca 
do Estado.

Olafur é conhecido por suas grandes instalações, que brincam com a 
percepção sensorial, com as noções de tempo e espaço, e esta é a primeira vez 
que o artista realiza uma mostra individual no Brasil e na América Latina. 

O tema do corpo e sua relação com o espaço e entorno estão no centro 
deste conjunto de obras expostas em São Paulo. Sugerindo que o espaço é 
um catalisador de comportamentos e atitudes e que o envolvimento do 
público possibilita a sua existência.




No Brasil da virada dos anos 50 Hélio Oiticica dilui o suporte 
artístico e trabalha o corpo na cidade, uma cidade viva, pulsante. 
Preocupado em catalisar a criatividade de outras pessoas, Oiticica 
proclama a diferença e a diversidade. Seu trabalho constrói a 
ideia do corpo com liberdade espaço-temporal, aberto a novas
experimentações. 

Seus “Parangolés” de 1964 são capas, estandartes ou bandeiras 
coloridas de algodão ou náilon, com poemas, para serem vestidas 
ou carregadas por um ator/espectador. Com eles, o artista cria a 
metáfora do corpo livre, em oposição à exclusão, fruto da 
desigualdade sócio-econômica, e à censura gerada pela violência 
da repressão militar.