domingo, 5 de dezembro de 2010

Tarragona










































Aproveitando que a greve dos controladores aéreos acabou com o feriado
de muita gente achei que era uma boa postar nestes dias alternativas para
quem fica em Barcelona. Como eu. 

Uma boa é passar o dia nas cidades vizinhas. Tarragona é uma das mais
interessantes. Fica a 98 Km de Barcelona e existem trens para lá de hora
em hora. O tempo de trajeto varia de 1h20 a 35 minutos dependendo do
tipo de bilhete. Saindo de manhã cedo e voltando no fim da tarde dá
tempo de ver quase tudo. 

A cidade, patrimônio da humanidade desde 2000, é testemunha da
passagem do tempo e das diversas ocupações na Espanha: romanos,
muçulmanos, bárbaros. 

Tarragona teve uma grande importância durante o período do império
romano, sendo a primeira fundação militar fora da península itálica.
A cidade ainda guarda muitos vestígios desta época. 

Mesmo sabendo disso, não imaginava a quantidade, a monumentalidade
e o grau de conservação dos seus edifícios. Roma continua sendo Roma,
mas Tarragona consegue impressionar até aqueles que tiveram a sorte de
conhecer a cidade italiana. Além disso, também tem edifícios românicos
e góticos e claro, exemplos do modernismo catalão: Gaudí,
Domènec i Muntaner entre outros.  

Mas não foi só isso que me chamou a atenção na cidade. Quando estive
lá, em uma quarta- feira com o meu irmão, andando pelas ruas do centro
histórico encontramos muitos exemplos de arte urbana. Portas e janelas
pintadas, postes de rua modificados e muros desenhados. 

Vale o dia. Para passear, ver o mediterrâneo, ver um pouco de arte e
história e claro, conhecer um pouco mais da Espanha e da cultura das
pequenas cidades.







































Obras dos Gêmeos grafiteiros. Irmãos paulistas que já espalharam suas obras
pelo mundo. Aqui, exemplos em Lisboa, New York, São Paulo e Londres.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cerveteca



















































Aproveitando que é sexta-feira achei que era o momento ideal para falar
deste lugar que gosto tanto. Quem sabe não anima alguém a ir conhecer.
Devo confessar que é uma ironia uma não bebedora de cerveja escrever esse
post, mas vamos lá.

Descontraída, simples e charmosa, a Cerveteca é bem diferente de muitos
bares de Barcelona. Nada de gritaria, lotação e som alto.  O lugar, apesar de
ser um sucesso, e estar no bairro gótico (conhecido pela sua vida noturna), é
super tranquilo e agradável.

Em um balcão de madeira e em volta de antigos barris usados como
mesinhas pessoas das mais variadas se reúnem depois do trabalho.
Tomam cervejas do mundo todo, conversam e ouvem música boa.

Em um cantinho um pouco escondido, na única mesa para sentar do bar,
termino minhas noites de sexta com os meus amigos cozinheiros. Eles vem 
direto da aula de pasteleria e sempre trazem um docinho. Não bebo, mas em
compensação, como muito.

O lugar é tão legal que vale para bebedores e abstêmios. 




















Latas de Ballantine Ale feitas, em bronze, em 1960 por Jasper Johns
Artista que ficou famoso por suas pinturas da bandeira norte americana.
Johns é um dos mais importantes artistas da pop art e um dos mais
valorizados da contemporaneidade. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cine Verdi



Na mesma rua do café já recomendado, A Casa Portuguesa, fica um dos
melhores e mais charmosos cinemas de Barcelona. 

O Cine Verdi concentra todas as qualidades de um bom cinema de bairro: 
só exibem filmes bons, é super pequeno, o seu público realmente gosta de 
cinema e tem constantemente festivais.

Fundamental dizer que os filmes não são dublados, coisa rara aqui na Espanha. 
Nas suas salas e para vender, filmes do circuito alternativo e alguns sucessos 
de bilheteria.

Antigo, o cinema tem sua arquitetura exterior e interior preservada. Com todos 
os clássicos do gênero: carpetes, nomes dos filmes escritos em painéis com 
letras móveis de metal, antiga bilheteria.

Esse cinema é o que o Top Cine era para mim. Um cinema paulistano famoso 
nos anos 70, 80 que quando eu freqüentava já estava decadente, seu charme a 
mais. Por falta de patrocínio ele foi fechado. Lembro quando recebi a notícia 
por telefone, fiquei de luto por um bom período.

Até este ano lamentava a perda do Top Cine...























Fotografias da série Untitled Film Stills da artista norte americana Cindy Sherman
Como na maioria de suas obras, Sherman se disfarça e encarna diferentes 
personagens. Neste caso, de filmes que não existem, mas que bem que poderiam 
existir...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Vitra Campus





O Vitra Campus é um complexo de edifícios criado pela Vitra, uma empresa 
de objetos e mobiliário de design. Ele fica na Alemanha, em Weil am Rhein, 
mas está ao lado de Basel, cidade suiça que recomendo dar uma passada.  

Seu conceito surgiu depois de um incêndio em 1981 que destruiu 
praticamente toda a antiga fábrica da empresa. A idéia era reconstruí-la com 
uma arquitetura funcional, um entorno que motivasse e um forte conceito 
estético por trás.  Para isso eles convidaram os principais arquitetos e 
escritórios de arquitetura do mundo para projetar os novos edifícios. 

Nicholas Grimshaw foi quem projetou o primeiro edifício da nova leva. 
Depois dele veio uma sequência impressionante: as fábricas, por Alvaro Siza 
e pelos japoneses do SANAA; o Vitra Haus, espécie de loja museu com os 
produtos da marca pelos suiços Herzog e De Meuron; o Vitra Design Museum 
pelo americano Frank Gehry; o centro de conferências de Tadao Ando. Estes 
são só alguns exemplos. 
O complexo tem edifícios de Zaha Hadid, Jean Prouvé, Buckminster Fuller e 
até a parada de ônibus foi projetada pelo designer Jasper Morrison. 

Também difícil esperar outra coisa de um nome como a Vitra que há 50 anos 
produz móveis desenhados pelos principais designers vivos e que já passaram 
por aqui. Phillipe Starck, Charles e Ray Eames, Verner Panton, Eero Saarinen,
Max Bill, Josef Albers são só alguns deles. 

Este lugar poderia render cinco posts pela quantidade de coisas para ver e 
descobrir lá. Tanta coisa que apelidei de parque de diversões para arquitetos 
e designers. Mas a verdade é que acho quase impossível não gostar da Vitra. 


Nesta obra, Split House, Gordon Matta-Clark parte cuidadosamente ao meio 
esta casa. O artista americano, formado em arquitetura, se encanta com o 
movimento da desconstrução e realiza diversas intervenções em casas 
abandonadas na década de 70. Matta Clark trabalha com o espaço, tira 
secções, retira fachadas, intervém nos edifícios construindo outra realidade.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Casa Portuguesa
























Quando sinto falta de casa- e quando digo casa falo tanto do Brasil quanto
do ano em que morei no Porto- corro para A Casa Portuguesa. O nome é assim 
mesmo, com artigo definido, porque não é uma casa qualquer, é toda feita 
para lembrar a terrinha.

Lá eu encontro as famosas bolas de Berlin ( como eles chamam os sonhos 
em Portugal), os bolinhos de bacalhau e muitos outros clássicos da culinária 
lusitana. Tem tudo que um bom "tuga" (como eles se auto denominam) gosta, 
e ainda faz o maior sucesso entre os catalães. Tanto sucesso que eles estão 
abrindo um segundo espaço em Barcelona.

O primeiro fica em uma das ruas mais legais da cidade, no bairro de Grácia, 
na carrer Verdi (em homenagem ao compositor). Um bairro super barcelonês, 
pouquíssimos turistas, loja da esquina, gritaria na saída das escolas.

Um dos donos, Pedro, que já vive há alguns anos em Barcelona, diz que a ideia 
é recriar o ambiente de um típico café português. Os vinhos, os azulejos na
parede, a decoração, a trilha sonora. Lá eles vendem até os famosos sabonetes
da Claus, feitos no Porto.

Quando a Marta, minha irmãzinha espanhola (com quem morei no Porto) veio 
passar uns dias aqui em casa levei ela lá. Depois de dividirmos um pastel de 
nata e dela tomar uma meia de leite, conversamos horas e horas como fazíamos
todas as noites na nossa casa portuguesa....
























Obra do fotografo cubano Abelardo Morell que ficou conhecido por
construir suas imagens através da técnica da câmera obscura. Ou seja,
transformando os ambientes em câmeras pin hole ele recria o fenômeno
óptico que dá origem a fotografia.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Llibreria Sant´Jordi






Em uma tarde voltando para casa pela famosa rua do bairro gótico
barcelonês, Carrer Ferran, encontrei a Livraria Sant´ Jordi. A rua, apesar
de muito turística e sempre cheia não importa a hora e o dia do ano, tem
muitos lugares para serem descobertos e explorados. Esta livraria é um
deles.

Fundada em 1928, ela é administrada por José Morales e seu filho.
A paixão dos donos fica evidente na vitrine, onde já se percebe a
especialidade da livraria: arte, arquitetura, fotografia, design.

Os dois estão sempre prontos para indicar o que saiu de melhor e mais
novo. Tudo é escolhido com muito critério, "só aquilo que tem de bom",
diz o filho. Mas claro que existem obras com outras temáticas, mas sempre
por um bom motivo.

Mas meu fascínio vai muito além dos seus livros. Amo a maneira como
eles estão expostos, em pilhas, meio desordenados. A arquitetura da loja,
com sua vitrine com uma cortina antiga, seu piso de ladrilho, suas
prateleiras quase desabando. Quando entro me lembro da antiga biblioteca
da minha avô, do monte de livros, do cheiro.

Para quem gosta do tema, é sem dúvida uma das melhores lojas da cidade.
Entre com paciência, com vontade de procurar algo escondido e
preparado para grandes surpresas.



























Esculturas efêmeras, ou melhor, fotos das esculturas construídas
pelo artista James Nizan.
O conhecido fotógrafo canadense expôs o registro desta série
em que empilhou objetos encontrados em um antigo edifício
de habitação popular.  

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Istituto Veneto di Scienze Lettere ed Arti






















Localizado em um dos encontros mais bonitos de Veneza, entre o Campo de
San Stefano e o Campo San Vidal está o Instituto Veneto de Ciências, Letras 
e Artes. Em 1999 a sede do instituto foi transferida para o Palazzo Franchetti,
um palácio gótico voltado para o Grande Canal; amplamente reestruturado
entre os séculos XIX e XX pelos arquitetos Camillo Boito e Giovanni
Battista Meduna, grandes nomes do restauro italiano.  

O edifício está em um eixo artístico da cidade, na beira da Ponte della
Accademia, que apesar de não ser um ícone como a do Rialto, é tão bonita 
quanto ou até mais. Com o melhor da arquitetura veneziana, as texturas do 
palácio impressionam. Desde os detalhes nas janelas e portas, ao seu
interior, com escadas, pisos e tetos trabalhados.

Mas muita gente passa por lá e não imagina que no interior estão as
exposições mais interessantes de Veneza. No fim de semana passado,
quanto estive na cidade visitando a Bienal de Arquitetura, por acaso entrei
e encontrei uma mostra de fotos do cineasta Stanley Kubrick. Pode não ser
surpresa para muitos, uma vez que é esperado que os melhores diretores de
cinema sejam bons fotógrafos, mas fiquei fascinada com a qualidade de suas
imagens. A capacidade de narração, a sutilieza das luzes, a beleza dos
enquadramentos dos seus filmes estão, ou quem sabe derivam, de suas
fotografias. 

A mostra, programada para terminar no dia 14 de novembro, foi prorrogada
até o dia 8 de dezembro. Para os que tem sorte de estar por perto, não percam.
Para os que estão longe vale ver mesmo que seja em uma tela de computador.

Fotos do cineasta Stanley Kubrick. Carregadas de romance, drama e mistério. 

domingo, 21 de novembro de 2010

Happy Pills


















































O lema da Mary Poppins poderia ser adotado por essa loja:
“a spoonful of sugar helps the medicine go down!”. É bem esta a idéia.

Os tradicionais vidros de remédios, aqui, são cheios com balas, gomas e 
todas as outras drogas deste gênero. Este diferencial da Happy Pills em 
relação as outras mil doceiras tradicionais de Barcelona garante o seu 
sucesso e a constante fila na porta. A loja está espalhada por todo o mundo
e tem motivo.

Nos rótulos eles especificam a indicação: dor de amor? Falta de apetite? 
Vale também sugerir um tratamento para seu namorado, amigo: ¨Contra os 
domingos de futebol¨. Ou até usar como desculpa: ¨Para que saiba que fiz
sem querer¨. Enfim, alí cada problema tem a sua solução. 

Seria fácil a vida se tomássemos nossas drogas diárias com tanta alegria....














Cama Valium,  obra da portuguesa Joana Vasconcelos. Construída com 
as cartelas do famoso antidepressivo, esta obra, como outras desta artista 
conceitual, discute o mundo contemporâneo: seus vícios, suas paranóias 
e suas infinitas contradições. 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Coquette. Born to be beautiful















































A Coquette é sem dúvida uma das maiores tentações da cidade, e por sorte
ou muito azar fica ao lado da minha casa. Com três lojas em Barcelona,
esta multimarcas tem o melhor da Espanha e do mundo. Alí já encontrei
peças até da Isabela Capeto!
Isabel Marant, A.P.C., Vanessa Bruno, Hoss-Intropia, Tara Jarmon, 
See by Chloé são só algumas das marcas que você pode encontrar.

O nome da loja já diz tudo: Born to be beautiful, um paraíso para as mulheres 
no bairro do Born. A loja seleciona as roupas mais bonitas das coleções dessas 
marcas e as expõe em espaços escolhidos com muito critério: minimalistas, 
arquitetura da cidade velha preservada, pilares metálicos e tetos originais. 
Poucos móveis, mesas retrô com acessórios do mais bom gosto e vitrines 
muito inspiradoras.

Acho que não teve uma amiga que levei lá que não se apaixonou pela loja. 
Tudo é original e da melhor qualidade.























Imagens do jovem fotógrafo sueco Carl Kleiner. Kleiner realiza um
experimentalismo de muito bom gosto. Suas peças gráficas possuem
uma estética muito interessante e os mais variados objetos.